Meio Liquido
O meio líquido é uma sala de estar. Serve para contar e ouvir histórias sobre a tribo de corredores de vagas de mar, assim brilhantemente chamados por um amigo açoreano. Pode também servir para partilhar idéias, conhecimento, imagens ou o que quiserem. O elo de ligação é o mar e a experiência de o navegar, explorar ou deslizar nas suas vagas de energia celebrando a vida numa costa algures no planeta. Sejam bem vindos, sejam livres.
sábado, setembro 15
Real Mentawai
Tudo o que eu li sobre as ilhas Mentawai é verdade.
De facto aquilo é bastante primitivo e algo agreste, mas também com a sua dose de paraíso. Em relação a alguns locais onde já estive não tem tantos animais selvagens, pelo menos em terra. Mas os animais que tinha eram mesmo selvagens pois o factor humano faz-se pouco notar por aqueles lados. Havia bastantes ratos e lagartos em formato XL. Dentro de água vimos bastantes Caravelas Portuguesas, uma espécie de medusa com um dos venenos mais mortais conhecidos, mas só no alto mar. E mais uma série de bichos grandes dentro de água que não conseguimos identificar.
Mas por outro lado junto aos recifes havia milhares de peixinhos lindíssimos com cores e formas impossíveis, visíveis desde a superfície. Ilhas de sonho no meio do nada, com areias brancas, recifes coloridos e águas verdes. E umas tempestades tropicais e alguns terramotos. E vulcões.
No limite acabámos por ficar numa ilha quase deserta, apenas com umas cinco casas, dez aldeões e uma criança. De tão isolados mal Indonésio falavam e a dada altura cheguei a duvidar que conhecessem espelhos. Sem luz eléctrica, após o anoitecer só nos restava ir dormir e esperar pelo novo dia. Mas por vezes, quando o céu estava limpo, víamos as noites mais estreladas da nossa vida, quase dando para avistar a linha do equador a olho nu.
A dieta alimentar era horrível, baseada essencialmente em picante, em geral com arroz ou massa e acompanhada por legumes. Nunca carne nem peixe nem frutas nem nada mais. Arroz ou massa picante com legumes picantes. Com chá quente, porque as águas lá tinha mesmo que ser bem fervidas. Muita malária, com alguns casos registados enquanto lá estivémos.
E de resto, muita viagem de barco pelas ilhas e mais ilhas. Os encontros com os outros barcos eram o nosso único contacto com a civilização. Com águas quentes e ondas de sonho, dentro de água éramos todos iguais. Mas enquanto que, quem vinha de iate saía da água para um hotel de algumas estrelas, nós voltávamos para uma ilhota com palhota. E não foi nada mau, pois a maior parte do tempo foi passada dentro de água. Ou a dormir a sonhar.
Esquerdas Infinitas
Nem acredito que estive na terra da esquerdas infinitas. Bali é inacreditável, com ondas perfeitas a perder de vistas. Cheias de crowd claro, mas com tanta onda que deu fácil para encher a barriga de tubos. E tudo aquilo é um local mágico. Deixo-vos umas fotos que costumo receber todas as segundas feiras de manhã do Monday Mornign Wave, estas de Padang Pandang que até esta viagem estavam apenas nos meus sonhos e que agora estão nas minhas memórias !!





