terça-feira, abril 4

Cool under pressure

Todos os desportos têm o seu pesadelo, aquele evento que todos temem que aconteça. Nas bikes será talvez o partir do guiador numa descida a topo, na formula um perder a direcção à saída da parabólica, a queimar os 300km/h, no boxe talvez seja levar com um ko no primeiro minuto, ficar sem um dente da frente e ainda por cima o outro magano ter metade do teu tamanho!
No que toca às vagas de mar o assunto é sério e é certinho: entrou vai levar! E é bom que se tenha esta regra na cabeça porque pode fazer a diferença entre o pânico e o "cool under pressure"
Sempre imaginei como teria que ser um homem que leva com uma morra de 12' Pipe terceiro reef ou Jaws 30' pelo costado abaixo...a primeira impressão é a de que niguém leva com uma "besta" dessas e fica para contar a história. Bom, tirando as baixas definitivas e óbvias, a maioria das vezes levam sim senhor e ficam com episódios para contar aos netos. Então a resposta para o mistério lampeja na alma: a malta deve ser de gladiador para cima, gente de bícepes de aço e caixas toráxicas anormais, sim de facto não existem muitos que se exponham a situações dessas! Surge então a imagem de Brook Little, corpinho estilo bruce lee, a entubar em Waimea, mas ao mesmo tempo não se esqueçam do mito, bem real, da preparação do Ken Bradshaw e cª lda para o vagalho...longas caminhadas pelo fundo do oceano com um pedregulho no regaço! Lopez medita na casa da àrvore a mirar G-Land, a mente comanda o corpo...o Mike Parsons relaxa e deixa-se levar consciente e astuto no negro turbilhão de toneladas de àgua no campeonato do mundo de town in 2005...a mente e o corpo...e não é fácil...todos já passaram pelo mesmo à sua própria escala.
A visão de um set "gigante" a formar-se no outside, a avançar sem obstáculo à altura da sua força, lança por momentos a dúvida na cabeça, aquela que custa a aceitar, será que passo? Num àpice surge no cérebro a resposta...só saberei depois de passar a primeira...no climax surge a visão, a parede seguinte cresce a olhos vistos, vigorosamente, a sublinhar a sua imponência à medida que se aproxima do banco...surge a segunda dúvida...atraso ou acelero para não levar com o lip na modesta moleirinha....surge a resposta e com ela o bater do coração no pescoço, como que a bombar sangue já de sobre aviso...a vista é bela e grotesca...a massa de àgua cresce e das alturas abate-se...por instantes parece cair em câmara lenta como se permitisse a última golfada ao artista...o impacto é severo e o corpo ganha a plasticidade da àgua...surge o silêncio...